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Admiradores da biologia (Ad-Bio). Page do biólogo Gerbson V. Nascimento (e amigos) e visa apresentar curiosidades sobre a biologia.

06/01/2026

Relembrando escritos anteriores.

“SE A EVOLUÇÃO É VERDADEIRA, NÓS DEVEMOS TER LIXO NO DNA”. AFIRMA EBERLIN.
É VERDADE?

Recentemente houve um debate tipo criacionismo X evolucionismo entre o Dr. Marcos Eberlin e o engenheiro Francisco Quiumento. A exatos 19:50 minutos, Eberlin afirma: “Se a evolução é verdadeira, nós devemos ter lixo no DNA” e depois completa afirmando que “um design, meu design não colocaria lixo no DNA [...]. Meu design é perfeito ele não coloca lixo no seu programa”.

Minha maior oposição ao Movimento do Design Inteligente (MDI) é em primeiro lugar por ele não ser científico e em segundo, com a mesma força que o primeiro é que, seus adeptos, mesmo os que fazem parte da ciência, desmerecem, desacreditam e falam mal dos trabalhos sérios de outros colegas cientistas o que é muito lamentável. Na ciência, é claro, sempre há certas disputas e trocas de “elogios” nada agradáveis, mas, normalmente quem o faz, são cientistas da mesma área e não de áreas completamente diferentes como é o caso de um químico desmerecer o trabalho paleontológico, da biologia comparada ou genética. Ver isso em meu país me entristece muito.

Mas afinal, que história é essa de DNA-lixo?

Já faz um bom tempo que se descobriu que, “dos 3 bilhões de nucleotídeos em nosso genoma, apenas 90 milhões parecem fazer parte dos nossos 100 mil genes”, como afirma N. Angier (isso, é claro, antes do Projeto Genoma Humano mostrar o verdadeiro número de nossos genes). A esse material aparentemente sem função, já que não é lido, deu-se o nome grotesco de DNA-lixo.

E como f**a a evolução nesse caso?

Richard Dawkins há muito tempo escreveu: “[...] há muito DNA-lixo que, além de não ser lido, não faria sentido se fosse”. Dawkins diz isso, em partes porque há imensos trecho em nosso DNA com repetições de uma única base o que é diferente do “DNA-lixo” que se pensava não ser lido e por isso inútil, essa repetição da mesma base nunca é codif**ada e, como explica Dawkins “[...] presumivelmente nunca teve nenhuma utilidade”. Mas não é nisso que quero me focar. A grande verdade, embora não seja surpresa, é que Eberlin está errado nessa questão. Há realmente informação genética em nós que não é lida (codif**ada) prova disso é o que o trabalho dos cientistas Linda Buck e Richard Axel descobriram, ou seja, que 3% de nosso genoma é dedicado a genes para detectar odores diferentes. Isso não é surpresa, já que os mamíferos em geral dedicam muito genes ao olfato. Só que, nas palavras de Niel Shubin: “Quando observaram a estrutura dos genes humanos mais detalhadamente, os geneticistas se viram diante de uma grande surpresa: trezentos desses três mil genes f**aram totalmente sem função devido a mutações que alteraram irreparavelmente suas estruturas” e só para esclarecer, outros mamíferos fazem uso desses genes sem função em nós.

Quando analisamos os golfinhos e baleias, a coisa f**a ainda mais interessante. Eles, como você sabe, são mamíferos e como os demais, possui genes para odores do ar e não da água como os peixes. Só que esses animais não utilizam suas narinas para sentir cheiro, esses órgãos mudaram e hoje são utilizados como espiráculos utilizados para respirar e para surpresa de todos, todos os genes de odor deles estão inativos. E a coisa não para aí, as pandas gigantes, não apenas tem sistema digestivo de carnívoros, mas também tem genes com informação para produzir enzimas que digerem carne, só que estão inativos. Como podemos ver, a genética demonstra a evolução e não o contrário como fez crer Marcos Eberlin.

E para finalizar, gostaria que o leitor frisasse em sua mente o seguinte, nós aceitamos a evolução, pelo que sabemos e não pelo que não sabemos. A muito ainda a descobrir, mas, o que sabemos até o presente, confirma a evolução.

Por: Biólogo Gerbson V. Nascimento.

Referências bibliográf**as:

ANGIER, N. A beleza da fera; novas formas de ver a natureza da vida. Rio de Janeiro: Roco 1998.

COLLEN, A. 10% humanos. Como os micro-organismos são a chave para a saúde do corpo e da mente. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

DAWKINS. R. Desvendando o arco-íris ciência, ilusão e encantamento. 1ª reimpressão. São Paulo: Companhia das letras, 2000.

SHUBIN, N. A história de quando erámos peixe; uma revolucionária teoria sobre a origem do corpo humano. Rio de Janeiro. ELSEVIER, 2008.

Imagem: Animação de molécula de DNA.
Disponível em:.Acesso em:30. JAN. 2021.

02/01/2026

É VERDADE QUE A AUSÊNCIA DE COMEDORES DE ÁRVORES PODE DIMINUIR O NÚMERO DE ÁRVORES AO INVÉS DE AUMENTAR?

R: Verdade. Em um estudo na Savana, quando acácias foram cercadas para impossibilitar a presença de herbívoros, como girafas e elefantes, o números das árvores diminuiu.
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Nossa espécie sabe um bocado de coisa, muito mais que qualquer outra espécie que compartilha a biosfera conosco, no entanto, o que não sabemos, supera enormemente tudo o que sabemos e os cientistas sabem disso[1]!

O físico Laurence M. Krauss[2] afirma que 99% de nosso universo é constituído pelo invisível (matéria escuro) que desconhecemos e o também físico Marcelo Gleiser[3] afirma que: “[...] nossa visão da realidade será sempre incompleta”. Os biólogos não pensam diferente. Fernando Reinach[1] afirma que “[...] A realidade é muito mais intrincada do que imaginamos”.

Uma prova do quanto sabemos pouco sobre a realidade veio de um estudo conduzido com acácias na Savana, quando uma área com essas árvores foi cercada, impedindo que herbívoros de grande porte, como as girafas e os elefantes, tivessem acesso.

O que se esperava é que as árvores longe da “agressão” dos herbívoros tivessem um desenvolvimento melhor, mais rápido e mais saudável que as demais. Mas, a realidade não é o que parece e sabemos pouco sobre ela e o resultado foi que essas árvores isoladas dos herbívoros por quase duas décadas, não se desenvolveram melhor, mais rápido e nem mais saudável que as demais. Mas, por qual motivo?

Acontece que na presença dos herbívoros, as acácias liberam seiva como um processo natural da agressão. Essa seiva serve de alimentos para formigas que vivem nos espinhos ocos da planta sem lhe causar mal e defendendo a árvores de toda espécie de invasores. Sem a agressão, não há liberação de seiva e sem seiva, não há formigas morando e defendendo a árvore que, em consequência, sofre agressão maior de outros insetos que cortam suas folhas, perfuram seu troco fragilizando-a ao desenvolvimento de doenças e infecções.

Percebeu como sabemos pouco sobre a realidade de nosso mundo?
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Por: Gerbson Vieira do Nascimento.

Referências Bibliográf**as
1- REINACH. F. A longa macha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta terra. 1ª ed. São Paulo: Companhia das letras, 2010.
2-
3- GLEISER, MARCELO. Criação imperfeita: Cosmo, vida e o código oculto da natureza. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.

Imagem: Formigas em acácia. Disponível em: . Acesso em; 01/01/2026.

Curiosidades: Estranha vida 06/09/2025

Relembrando escritos anteriores. PParaquem pensa que toda vida depende, exclusivamente, do sol.

HÁ SERES VIVOS QUE NÃO DEPENDEM DO SOL?

Quando li pela primeira vez a frase “O ingrediente básico para o amor ao estudo é o mesmo do amor romântico, ou do amor pelo país, ou por Deus”, fiquei maravilhado, afinal de contas, eu amo o estudo. A frase foi escrita pelo biólogo Edward O. Wilson e eu não discordo em nenhum ponto dela. O estudo é algo apaixonante e quem começa a amá-lo descobre que o mundo que nos rodeia é mais rico que as férteis mentes dos escritores de ficção.

Desde muito cedo ouvi que sem o sol não haveria vida em nossa terra. Isso foi tido como verdade durante muitos anos, mas hoje já não é mais uma verdade. O amor ao estudo levou alguns cientistas a descobrirem seres que não dependem, como nós, de nossa estrela mais próxima. E. O. Wilson afirma que “bem debaixo de nossos pés, estendendo-se por pouco mais de 3 quilômetros, há um outro mundo, que em alguns aspectos é muito maior”. Entre esses seres, um grupo bem diversif**ado recebeu o nome de Slimes (sigla em inglês de “sistema microbiano litoautotróficos subterrâneos”).

Há muito ainda a ser estudado sobre esses seres, mas para propósito de nosso texto, creio que a análise do nome já é suficiente. Como esclarecido acima, Slimes signif**a sistema microbiano litoautotróficos subterrâneos: Bem, por SISTEMA nós entendemos um conjunto de elementos que nesse caso são MICRÓBIOS (sistema microbiano) seres minúsculos apenas visíveis a luz do microscópio; LITO, como você deve lembra se refere a pedra e AUTOTRÓFICOS, que consegue produzir o próprio alimento. Ou seja, esses seres conseguem retirar energia para produzir seu alimento dos minerais que os rodeiam, como nos assegura Wilson, que escreve “eles não dependem da energia solar nem da matéria orgânica retirada da superfície da terra, mas sim de energia química derivada de maneira independente (autotróf**a) dos minerais que os rodeiam (daí a palavra lito, “pedra”) ”. E subterrâneo, ora, que vivem debaixo da terra.

É algo incrível. Mas sabe o que isso signif**a?

Signif**a, por um lado, que se a superfície de nosso planeta for devastada, torrada e se tornar impropria para a vida que hoje abriga, ainda assim a vida que há por baixo dela prosseguirá, e em bilhões de anos futuros, poderá evoluir e encher novamente todo o planeta. Por outro lado, a busca de vida fora da terra, ganha novo estímulo, ela poderá ser encontrada não na superfície dos planetas, mas no subterrâneo e por último, signif**a que a biosfera (esfera da vida) é bem mais ampla e diversa, que imaginávamos. Claro que essa descoberta signif**a muitas outras coisas, mas as principais, creio que foram citadas.

Charles Darwin na primeira edição de seu livro mais conhecido, afirmou “Uma luz foi lançada sobre a origem do homem e sua história” e, na sexta edição do mesmo livro, mudou um pouco a frase afirmando que “Muita luz será lançada sobre a origem do homem e sua história”. Crio que Darwin percebeu que o estudo de sua teoria, levaria o homem a descobrir muito sobre sua história que, aliás, não deixa de ser, de certa forma, a história da vida. Agora com a descoberta dos Slimes, me pergunto, quanto luz ainda será lançada sobre nossa história?

Referências e bibliografias:

DARWIN, C. A origem das espécies. 1ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2014.

WILSON, E. O. A criação; como salvar a vida na terra. São Paulo: Companhia das letras, 2008.

IMAGEM: Fósseis de micróbios.

Disponível em:. Acesso em: 07. ABR. 2019.

Autor do Texto: Biólogo Gerbson V. Nascimento.

Curiosidades: Vida marinha 01/03/2025

Relembrando escritos anteriores.

COMO O BAIACU FAZ PARA CONSEGUIR INFLAR?

As costas oceânicas tropicais do mundo inteiro possuem um curioso peixinho com a estranha capacidade de inflar-se f**ando parecido com uma bola cheia de espinhos, dobrando e até triplicando, seu tamanho normal. Estamos falando do Baiacu-de-espinhos ('Diodon holocanthus') e temos certeza que você já ouviu falar dele ou viu em um desenho animado.

Devido a seu estranho mecanismo de defesa, o 'Diodon holocanthus', acabou recebendo um grande número de nomes: De acordo com Mark Carwardine, ele também é conhecido como; “peixe-porco-espinho, baiacu-de-espinhos-listrado, baiacu-de-chifre, baiacu chifrudo e peixe balão”. Como você pode notar, todos os nomes estão relacionados a capacidade que o peixe tem em inflar-se. Isso demostra que essa capacidade tem chamado a atenção de todos que tiveram contado com o peixinho “balão”.

Como será que este peixe consegue fazer isso?

De acordo com Carwardine, o 'D holocanthus' consegue expandir-se; “[...] graças à adaptação morfológica de seu estômago- que sem função digestiva, f**a dobrado em inúmeras pregas microscópicas- e também à sua estrutura esquelética: o baiacu manteve a espinha dorsal, mas muitos de seus ossos desapareceram, especialmente as costelas”. Para expandir seu estômago, o baiacu ingere uma grande quantidade de água ou ar. Sem costelas e outros ossos, ele não tem problemas em continuar expandindo. E como sua pele é elástica, não há perigo de ela rasgar-se. A continua expansão do estomago, faz que as escamas se abram, obtendo assim a função de espinhos. Quando o estômago está cheio, uma válvula localizada na base da boca do peixe, se fecha, impedindo assim que a água ou ar, escape, mantendo o peixe inflado.

E é assim que o 'D holocanthus', torna-se um “balão”. Mas esse incrível peixe só faz sua “magica” quando é atacado ou pressente um perigo. Quando tudo está calmo, ele é como qualquer outro peixe.

A vida é cheia de encantos e conhece-los só a torna mais atraente.

Referências e bibliografias:

Carwardine, M. NATUREZA RADICAL; O livro dos recordes das plantas e dos animais. 1ª edição. Rio de Janeiro. Ediouro. 2007.

Imagem: Baiacu.

Disponível em:. Acesso em: 14. Nov. 2018.

Autor do texto: biólogo Gerbson Vieira Do Nascimento.

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