Luís Vaz - Advogado
Direito Civil (Geral, Família e Sucessório), Penal, Laboral e Comercial.
Confesso que, até hoje, dava pouca importância ao estudo da Filosofia enquanto ciência pois sempre acreditei que todos nós temos um filósofo dentro de nós e somos dotados da capacidade de formular os nossos pensamentos de forma lógica e coerente. Mas, uma conversa longa com um amigo me fez pensar de outra forma, me fez ver que pode existir algum sentido em ensinar aspectos que deveriam ser natos ao ser humano pela sua natureza de ser humano. Portanto, o ensino da filosofia e dos seus principados faz algum sentido, sendo um deles o raciocínio lógico.
Pois bem, a conversa longa a que me referi me fez revisitar alguns conceitos de lógica que devem (pelo menos é assim aceite pela ciência) nortear qualquer discussão. Falo das falácias, da necessidade de evitar argumentos falaciosos na formulação de conclusões e nas discussões. Particularmente, procuro sempre evitar argumentos falaciosos nas minhas locuções, por forma a tender mais para uma verdade que possa ser aceite e traga algum princípio de entendimento.
Basicamente existem 2 tipos de falácias, as formais e as informais.
São formais as falácias que violam regras da lógica formal (dedutiva), sendo as mais comuns: afirmar o consequente e negar o antecedente. Por sua vez, são informais as falácias que decorrem dos seguintes argumentos: ad hominem, ad populum, ad baculum, ad misericordiam, petição de princípio, falsa dicotomia, entre outras. É nestas que me vou focar pois entendo serem as que mais se tem propalado.
Resumidamente:
1. Ad hominem - ataca o carácter ou atributos pessoais do oponente, em vez de refutar o argumento. Ex: Você não pode dizer que o que fiz é errado porque você sempre fez a mesma coisa. A verdade é que um erro cometido em reacção a outro não o torna correcto.
2. Ad populum - assume que algo é verdadeiro porque muitas pessoas acreditam nisso. Ex: Todo o mundo acreditava que o sol girava em torno da terra, mas isso não se tornou verdade porque todo o mundo acreditava que assim era.
3. Ad misericordiam - usa a compaixão ou apelo emocional para desviar do debate lógico. Ex: As pessoas têm razão de agir como estão porque estão saturadas. Este facto pode até servir como justificativa, mas não torna o acto em si correcto.
4. Falsa dicotomia - apresenta apenas duas opções, ignorando outras possibilidades. Ex: Ou você é a favor do governo ou é contra o povo. É possível que haja outras opções, não precisamos resumir tudo a estas duas.
5. Generalização apressada - Conclusões amplas baseadas em poucas evidências. Ex: Conheci dois advogados corruptos, logo todos os advogados são corruptos. Há que ter tento e analisar caso a caso.
É importante tomar em atenção estes agumentos nas nossas discussões sobre a situação da nação. No debate que se propõe, precisamos procurar soluções eficazes e eficientes para os problemas levantados, partindo de uma lógica de que estamos todos a contribuir para o bem comum, mas devemos evitar posições e argumentos que minam o diálogo, porque falaciosos.
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