Joana R. Sá
18/10/2025
O Ritmo da Matéria Instável, 2025,
marcador sobre tela, 70 x 100 cm.
“Cada um de nós é uma ilha. Emergimos e submergimos, fluímos. Há ilhas que resistem, há ilhas que se dissolvem. Todas carregam o peso do que já foi, do que nunca será, do que ainda vibra nas marés invisíveis do tempo.
Cada um habita o seu próprio ritmo. Há cadências que fluem como marés, há pulsações que hesitam, que se dobram, que se interrompem. Cada um respira no compasso do seu silêncio, na dobra do seu tempo, na pausa que apenas cada um de nós conhece. Nenhuma ilha é imutável, mas há sempre algo que persiste – um contorno que o mar não apaga, um eco que não se dissipa.
Cada lugar que imaginamos é real. As paisagens que carregamos dentro de nós desenham margens onde nunca estivemos. As memórias, as ficções, os fragmentos que recolhemos sem saber, tudo isso sedimenta, tudo isso molda. O que pensamos perdido continua a ressoar.
Não há isolamento absoluto. Entre margens há correntes, entre presenças há vestígios, entre silêncios há um fio que atravessa. Movemo-nos sem tocar, mas nunca sem afetar. Cada ilha é um reflexo, uma matéria instável, um corpo atravessado pelo tempo, pelo espaço, pelo outro.
Entre um traço e outro, entre um som e um silêncio, há ligações invisíveis que atravessam tudo – mesmo aquilo que nunca se vê.”
Exposição “A Cadência Insular: O Ritmo da Matéria Instável” na Gama Rama em Faro (14 Março a 26 Abril de 2025).
Peça disponível em:
15/07/2025
ROTAS, 2024,
gravação sobre madeira, 88cm.
TENET, 2024,
gravação sobre madeira, 40 x 60cm.
Exposição “AREPO” na Galeria Praça do Mar em Quarteira ( 5 de Outubro a 30 Novembro de 2024)
A exposição “AREPO” convida o observador a emergir numa viagem sobre as verdades não reveladas, sobre o indizível e o incompreensível e o ciclo perpétuo da existência. Inspirado no Quadrado de Sator, antigo palíndromo composto por cinco palavras numa matriz de 5x5, a sua leitura pode ser feita de forma vertical, horizontal ou de modo inverso. (…) Nesta exposição pretendo transformar este jogo linguístico num jogo visual, substituindo as oito letras presentes no quadrado de Sator pelos oito padrões do meu alfabeto visual. Sem um sentido semiótico, o meu alfabeto é um código indecifrável do imo que se criou e consolidou ao longo do tempo na minha prática artística, costumo dizer que os meus desenhos são um conjunto de narrativas invisíveis, como um diário, que não se lê, mas que se vê e se sente. Não pretendo dar significados ao quadrado de Sator, pretendo deste modo, suscitar-lhe novas interpretações e celebrar a ode à beleza do enigma, do desvio, do indizível e do incompreensível. Daquilo que foi e que volta a ser.
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