Repórter Carlos Uqueio
Página Oficial de Carlos Uqueio, repórter e monitor em fotografia documental e jornalística. Siga-me!
27/05/2026
FORMAÇÃO INTENSIVA EM FOTOJORNALISMO
Transforma a tua paixão pela fotografia numa ferramenta de informação, impacto e oportunidade profissional.
Estão oficialmente abertas as inscrições para a Formação Intensiva de Fotojornalismo, uma experiência prática e orientada para quem deseja aprender a fotografar com propósito, técnica e visão jornalística.
Início: 8 de Junho
Duração: 4 semanas
Frequência: 3 dias por semana
Horário: 18h00 às 19h30
Local:
ALBAZINE CMC, junto ao mercado, Maputo
Durante a formação vais aprender:
Fotografia jornalística
Narrativa visual
Cobertura de eventos
Técnicas de reportagem fotográfica
Ética e linguagem do fotojornalismo
Prática orientada em contexto real
Inclui:
Certificado de participação
Possibilidade de estágio em jornais da praça para o melhor estudante
Atenção:
Apenas 5 vagas disponíveis
Investimento total:
5.000 MT
Inscrições e informações:
872 544 208
13/05/2026
O mestre da fotografia documental Sebastião Salgado dizia que quem não sabe esperar não pode ser fotojornalista. No fotojornalismo, a pressa quase sempre produz imagens vazias. A paciência, pelo contrário, aproxima o fotojornalista da essência humana.
Esperar não significa apenas ficar parado com a câmara na mão. Significa observar. Ler o ambiente. Entender o silêncio das pessoas, o movimento da rua, a mudança da luz, o instante emocional que antecede um gesto verdadeiro. Muitas das fotografias que marcaram a história não nasceram da velocidade, mas da resistência do fotógrafo diante do tempo.
O fotojornalista impaciente fotografa o acontecimento. O paciente fotografa o significado do acontecimento.
Há imagens que levam segundos para acontecer, mas horas, dias ou até anos para serem compreendidas e captadas. Um olhar cansado de um trabalhador na farma, uma lágrima escondida numa multidão, o abraço inesperado após uma tragédia, a criança que sorri no meio da pobreza. Tudo isso exige presença e sensibilidade. Exige capacidade de esperar sem perder a atenção.
Hoje, numa era dominada pela ansiedade, pelas redes sociais e pela obsessão de publicar primeiro, muitos confundem rapidez com profundidade. Produzem milhares de fotografias, mas poucas contam histórias reais. Sebastião Salgado lembrava que a fotografia não é caça ao clique. É encontro humano e que isso não se força.
A espera também é um acto de respeito. O fotógrafo que chega, dispara e vai embora raramente conhece a verdade do lugar onde esteve. Já aquele que permanece começa a ser aceite, ouvido e compreendido pelas pessoas que fotografa. É nessa permanência que nasce a confiança.
Portanto, este pensamento do mestre Sebastião Salgado continua actual porque o fotojornalismo não vive apenas de técnica ou equipamento caro. Vive de sensibilidade, disciplina e maturidade emocional. Saber esperar é saber controlar o ego, dominar a ansiedade e compreender que nem tudo acontece no momento que desejamos.
02/05/2026
Em Dezembro de 2019 participei num debate promovido pela World Press Photo, uma organização independente sediada nos Países Baixos, reconhecida mundialmente pelo seu trabalho na valorização do fotojornalismo e da fotografia documental. Para além do conhecido concurso anual que distingue algumas das imagens mais marcantes do mundo, a instituição tem desempenhado um papel relevante na promoção de debates críticos sobre ética, verdade e responsabilidade na narrativa visual.
O encontro teve lugar no Centro Cultural Brasil-Moçambique, hoje Instituto Guimarães Rosa, e centrou-se numa questão directa e desconfortável: a quem interessa o desaparecimento do fotojornalismo? No painel estive acompanhado por Mauro Vombe e Jéssica Fauvet, filha do reputado jornalista Paul Fauvet.
A pergunta levanta mais do que um debate académico. Obriga a identificar interesses reais. O enfraquecimento do fotojornalismo beneficia quem prefere operar sem escrutínio. Sempre que a imagem documental perde espaço, abre-se caminho para versões fabricadas da realidade. Menos testemunho independente significa mais espaço para manipulação.
Mas seria cómodo culpar apenas factores externos. Há fragilidades internas que não podem ser ignoradas. Redacções com menos investimento, profissionais mal pagos, perda de exigência editorial e uma certa superficialidade na produção visual contribuíram para o cenário actual. Em muitos casos, deixou-se de contar histórias para apenas produzir imagens rápidas. Isso enfraquece a profissão.
Sobre a inteligência artificial e os avanços tecnológicos, é preciso separar ruído de realidade. A tecnologia consegue gerar imagens, mas não substitui presença no terreno, nem responsabilidade editorial. Uma imagem artificial pode parecer real, mas não testemunha factos. Não carrega contexto, risco nem compromisso com a verdade.
O fotojornalismo não vai desaparecer. Vai ser pressionado, sim. Vai ser questionado, também. Mas desaparecer não. A sua relevância está ligada à própria necessidade de documentar a realidade com rigor.
O futuro não depende da tecnologia, depende de quem pratica a profissão. Quem insistir apenas na técnica básica vai ficar para trás. Hoje não chega apenas fotografar. É preciso investigar, contextualizar e construir narrativas sólidas.
O valor do fotojornalista nunca esteve na câmara. Está na capacidade de ver, interpretar e assumir responsabilidade pelo que mostra. Enquanto houver factos a serem escondidos, haverá espaço para quem os revele.
A questão não é se o fotojornalismo vai desaparecer. A questão é quem está disposto a elevar o nível para que ele continue a ter impacto real.
Clique aqui para solicitar o seu anúncio patrocinado.
Categoria
Entre em contato com a figura pública
Website
Endereço
Av. 25 De Setembro, N° 1728
Maputo
1100