Blog do Sono

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Artigos relacionados ao universo do Sono, com informações complementares ao público interessado.

22/09/2024

Hoje é o Dia Mundial de Conscientização da Narcolepsia.

A narcolepsia é caracterizada por um quadro de sonolência diurna excessiva com uma tendência a cair no sono em horas inapropriadas. Em casa, na rua, no trabalho, em pé ou sentado, ocorre um sono incontrolável e o indivíduo dorme subitamente.

Esta sonolência pode ser desencadeada por situações de estresse e não são aliviadas por uma boa quantidade de sono à noite. Além deste quadro pode ocorrer perda abrupta da força muscular diante de uma emoção como o riso (cataplexia), sensação de estar acordado e não conseguir se mexer na cama (paralisa do sono) e alucinações auditivas ou visuais que aparecem logo antes de iniciar o sono (alucinações hipnagógicas).

A perda da força muscular pode ser específ**a a um grupo muscular ou generalizada (neste caso, a pessoa chega a cair no chão). Este quadro pode aparecer repentinamente ou desenvolver-se aos poucos, mais comumente na adolescência. A sonolência diurna excessiva pode ser o único sintoma.

A narcolepsia é uma doença de origem genética que afeta parte do cérebro responsável pelo controle do sono e da vigília.

O diagnóstico é feito por uma avaliação noturna do sono, a Polissonografia, e durante o decorrer do dia seguinte ao exame, segue-se o Teste de Múltiplas Latências do Sono, que avalia o tempo médio que o indívíduo leva para adormecer, geralmente extremamente curto.

A narcolepsia quando diagnosticada não pode ser curada, mas há medidas para controlar os sintomas da doença. O tratamento vai depender da intensidade dos sintomas e por isso deve ser programado individualmente pelo médico responsável do paciente.

É importante salientar que pessoas que sofrem de narcolepsia precisam ter cuidado com atividades consideradas perigosas tais como dirigir, andar sozinhas na rua, subir e descer escadas, cozinhar, pela possibilidade de caírem no sono sem contrôle algum.

06/08/2024

Sim, dormir pouco pode aumentar a fome.

De acordo com um estudo recente realizado pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, para o documentário “The Truth about Sleep", da BBC, dormir pouco altera seus hormônios do apetite e te deixa com mais fome, e com menos chances de sentir-se saciado.

A grelina, que estimula a fome, aumenta, enquanto a leptina, que sinaliza saciedade, diminui. Além disso, a privação de sono pode levar a um aumento no desejo por alimentos calóricos e ricos em carboidratos.

E tem mais: “se você está acordado quando não deveria estar, produz mais hormônios do estresse, o cortisol, que pode influenciar seu nível de glicose no dia seguinte”, explicou a Drª Eleanor Scott, autora principal do estudo.

De acordo com uma outra pesquisa recente, existe mais atividade na região do córtex piriforme, a área do cérebro que recebe informações do nariz, quando o sono é privado. Durante o estudo, os voluntários (homens e mulheres entre 18 e 40 anos) comeram mais alimentos calóricos, como biscoitos de chocolate, batata frita e rosquinhas, depois de noites mal-dormidas.

“Pesquisas anteriores mostraram que a privação do sono leva a mudanças no tipo de alimento que as pessoas comem. E que problemas crônicos de sono estão ligados à obesidade”, disse Thorsten Kahnt, autor do estudo e professor-assistente de neurologia da Northwestern University Feinberg. “A principal descoberta do nosso estudo é que essa relação, pelo menos em parte, pode ser explicada por mudanças na maneira como o cérebro responde aos odores dos alimentos quando estamos com sono”.

O estudo mostra que é possível que isso tenha relação ao sistema endocanabinóide, que regula a maneira como outros sistemas funcionam. “Certas funções endocanabinóides são aprimoradas quando as pessoas são privadas de sono”, diz Kahnt, “e isso está relacionado às mudanças na ingestão de alimentos e como o cérebro processa os odores quando cansado”.

A grande quantidade de pesquisas que relacionam a privação do sono a más-escolhas alimentares deveria ser suficiente para convencer o paciente a prestar mais atenção aos seus hábitos de sono.

E você, já notou mudanças no seu apetite quando dorme menos?

26/07/2024

A apneia obstrutiva do sono (AOS) também pode estar associada a fenômenos inflamatórios e isquêmicos que aumentem o risco de déficit auditivo.

O que as pesquisas mostram?

De acordo com estudo de 2016 (1), que envolveu mais de 16.000 participantes, aqueles com apneia do sono tiveram maiores chances de déficit auditivo, tanto em altas como em baixas frequências auditivas.

Outra pesquisa de 2016 (2), embora menor, corrobora essas descobertas e afirma que, entre as pessoas com apneia do sono grave, aquelas com níveis mais baixos de oxigênio têm muito mais probabilidade de apresentar déficit auditivo.

Outro estudo de 2017 (3) descobriu que o risco de zumbidos em ouvidos é signif**ativamente maior entre pacientes de meia-idade e idosos com apneia do sono e demais distúrbios do sono.

Entretanto, pesquisa mais recente de 2023 (4) constatou que a presença de AOS afetou minimamente os níveis auditivos. Como a perda auditiva devido a danos hipóxicos se desenvolve durante um longo período de tempo, são necessários mais estudos sobre a associação entre a duração da AOS, não somente o critério baseado na presença ou gravidade da AOS concomitente à perda auditiva.

É importante notar que, embora exista claramente uma ligação entre a apneia do sono e perda auditiva, não há evidência definitiva de que cause diretamente o comprometimento auditivo.

Para concluir, sempre que houver suspeita ou comprovação da apneia obstrutiva do sono, torna-se recomendável uma avaliação audiológica de rotina.

Referências:

1- Sleep Apnea Is Associated with Hearing Impairment: The Hispanic Community Health Study/Study of Latinos
doi: 10.5664/jcsm.5804

2- Lowest Oxyhemoglobin Saturation May Be an Independent Factor Influencing Auditory Function in Severe Obstructive Sleep Apnea
doi: 10.5664/jcsm.5786

3- Risk of tinnitus in patients with sleep apnea: A nationwide, population-based, case-control study
doi.org/10.1002/lary.2632386

4- Is sleep apnea truly associated with hearing loss? A nationwide, population-based study
doi: 10.3389/fpubh.2023.1170470

19/06/2024

"A Ciência contra a Insônia", documentário que está sendo veiculado no Fantástico. No primeiro episódio a rede britânica BBC convidou um grupo de voluntários para uma série de te**es científicos, sem medicamentos, em uma universidade na Austrália. Os pesquisadores prometem tentar resolver as dificuldades para dormir com um tratamento pioneiro.

O estudo clínico combina uma abordagem personalizada, com médicos e especialistas de diferentes áreas e a mais avançada tecnologia disponível para monitorar o sono.

13/04/2024

Você sabia que existe uma forte ligação entre pressão alta (hipertensão) e apneia do sono?

Ambas são condições preocupantes por si só, mas juntas podem representar um risco signif**ativo para a saúde.

Como a apneia do sono aumenta a pressão arterial:

Durante episódios de apneia do sono, suas vias aéreas entram em colapso repetidamente, causando privação de oxigênio. Isso desencadeia a resposta de “lutar ou fugir”, levando a picos na pressão arterial e na frequência cardíaca.

A apneia do sono interrompe as quedas normais da pressão arterial que normalmente ocorrem à noite. Essa elevação constante sobrecarrega o sistema cardiovascular.

A privação crônica do sono causada pela apneia do sono pode causar inflamação em todo o corpo, contribuindo ainda mais para a hipertensão.

Se não forem tratadas, tanto a apneia do sono quanto a pressão alta podem aumentar o risco de:
- Ataque cardíaco, especialmente durante o ciclo de sono-REM (entre 3h e 5h), quando a resposta do corpo à privação de oxigênio pode ser atenuada;
- AVE (acidente vascular encefálico);
- Insuficiência cardíaca;
- Doença renal.

O momento do ataque cardíaco durante a apneia do sono é emblemático. O sono-REM, caracterizado por sonhos vívidos e paralisia muscular (atonia), pode desempenhar um papel nessa gênese. A atonia pode piorar os eventos obstrutivos, e a resposta embotada aos quimiorreceptores (sensores que regulam a respiração) pode permitir que esses eventos passem despercebidos por mais tempo.

Se você suspeita que tem apneia do sono ou pressão alta, consulte um médico! O diagnóstico e o tratamento precoces são cruciais. Converse com seu médico especialista em medicina do sono e discuta se um aparelho de CPAP ou outros tratamentos podem ser adequados para você.

Cuidar do seu sono é vital.

Comece pelo sono!!!

10/11/2023

O maior estudo mundial sobre a exposição à luz e o seu impacto na saúde mental, com quase 87.000 participantes, descobriu que o aumento da exposição à luz diurna pode atuar como um meio não-farmacológico de reduzir problemas graves de saúde mental.

Naqueles expostos a grandes quantidades de luz durante a noite, o risco de depressão aumentou em 30 por cento, enquanto aqueles que foram expostos a grandes quantidades de luz durante o dia reduziram o risco de depressão em 20 por cento. Padrões semelhantes de resultados foram observados para comportamento de automutilação, psicose, transtorno bipolar, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de stress pós-traumático.

O estudo, liderado pelo professor associado Sean Cain, da Monash School of Psychological Sciences e do Turner Institute for Brain and Mental Health em Melbourne, Austrália, foi publicado na revista Nature Mental Health.

“Nossas descobertas terão um impacto social potencialmente enorme. Quando as pessoas compreenderem que os seus padrões de exposição à luz têm uma influência poderosa na sua saúde mental, poderão tomar algumas medidas simples para otimizar o seu bem-estar. Trata-se de obter luz brilhante durante o dia e escuridão à noite", diz Cain.

Os 86.772 participantes do estudo eram todos do UK Biobank e foram examinados quanto à exposição à luz, sono, atividade física e saúde mental. O impacto da exposição noturna à luz também foi independente da demografia, atividade física, estação do ano e emprego.

"Os humanos nos tempos modernos e industrializados literalmente viraram nossos sistemas biológicos de cabeça para baixo. Nossos cérebros evoluíram para funcionar melhor com luz forte durante o dia e quase sem luz à noite; desafiam esta biologia, passando cerca de 90 por cento do dia em ambientes fechados sob iluminação elétrica, que é demasiado fraca durante o dia e demasiado brilhante à noite em comparação com a luz natural e os ciclos de escuridão. Isso está confundindo nossos corpos e nos deixando cada vez piores”, conclui o professor Sean Cain.

Referência:
Day and night light exposure are associated with psychiatric disorders: an objective light study in >85,000 people

https://www.nature.com/articles/s44220-023-00135-8

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