Dudu Ferrari
Morador de Cotia desde 1991
Colunista no Beat Notícias Nasci no Alto de Pinheiros, no extinto Hospital PanAmericano numa tarde de Sexta-feira em São Paulo.
19/11/2025
Um deputado é brutalmente agredido em pleno Centro de Curitiba.
A cena, longe de gerar comoção, é celebrada por perfis adornados com versículos bíblicos e slogans religiosos — a hipocrisia em sua forma mais crua, desejando mais violência em nome da fé.
Enquanto isso, avança o PL Antifacção — um projeto que, sob o pretexto de combater o crime, desmonta direitos, sufoca comunidades e desestrutura a economia nacional com mais eficácia do que qualquer organização criminosa.
No subterrâneo da política, emerge o escândalo do Banco Master: um esquema de corrupção que conecta prefeitos e governadores, todos injetando dinheiro público em um banco privado como se fosse cofre pessoal. Um crime sistêmico, institucionalizado — e convenientemente ignorado.
Parte da população segue anestesiada, operando como autômatos programados para defender os interesses do capital, mesmo que isso custe sua própria dignidade. Morrem pela elite, mas jamais vivem pelo povo.
Influencers da extrema-direita flertam com o inominável: relativizam o abuso infantil em nome de uma ideologia que se diz moralista, mas que normaliza o inaceitável. Tudo isso sob a bandeira da “família tradicional”.
Temos o deputado home office — ausente do plenário, presente nas redes, legislando por likes. E deputadas que, em um ato de traição política e simbólica, votam contra projetos que protegem e empoderam mulheres.
Milhões em emendas parlamentares evaporam sem rastros, como se o dinheiro público fosse poeira ao vento — ou melhor, combustível para interesses privados.
Uma cidade devasta sua última porção de Mata Atlântica, e quando um tornado a atinge, o debate ambiental é silenciado sob o pretexto de “respeitar o luto”.
A dor é seletiva, o silêncio é conveniente.
Em outra cidade, o analfabetismo funcional impede a compreensão de que uma dívida de R$ 150 milhões representa apenas 9% de uma arrecadação de R$ 1,6 bilhão — o dízimo mensal de um orçamento pujante.
Mas a histeria fiscal seletiva grita mais alto do que a matemática.
E pensar que já houve um tempo em que o escândalo nacional era um Fiat Elba.
Hoje, o Brasil ri de Odorico Paraguaçu, mas vive sob o roteiro de uma tragicomédia institucionalizada — e o anticristo, certamente, enganará até os escolhidos.
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Cotia, SP