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O Laboratório de Anestesia e Analgesia Veterinária da UFPR foi criado no ano de 2009 pelo Prof. Dr

27/11/2020

O famoso Acepran é utilizado amplamente na Medicina Veterinária pelos seus efeitos sedativos. Esse fármaco é integrante da classe das fenotiazinas, e age em uma ampla variedade de receptores como os receptores adrenérgicos, muscarínicos, serotoninérgicos, histamínicos e principalmente nos receptores dopaminérgicos, especialmente os receptores D2. O bloqueio do receptor ocasiona a diminuição de cAMP e da atividade da adenilato ciclase que ocasionam o efeito desejado de sedação. A ação nos receptores previamente citados também desempenha função sedativa. É importante lembrar que o Acepran não possui propriedades analgésicas. A utilização do fármaco em protocolos de MPA foi eficaz na redução do requerimento de anestésicos gerais.

Os efeitos adversos associados com a utilização do Acepran são diminuição do volume sistólico, debito cardíaco, contratilidade cardíaca, pressão arterial e do conteúdo arterial de oxigênio (ocorre sequestro de hemácias pelo relaxamento da capsula esplênica), a redução desses fatores também leva a diminuição do DO2.

É importante sempre lembrar que cada protocolo deve ser pensado especialmente no seu paciente e nas comorbidades que ele apresenta e apesar de ocasionar instabilidade hemodinâmica o Acepran não é um fármaco ruim, muito pelo contrário, sua utilização é exatamente válida e usual na rotina dos Anestesiologistas Veterinários.

Photos from Labest's post 10/10/2020

O uso de bloqueios regionais tem ganhado mais espaço na Medicina Veterinária nas últimas décadas, com maior uso na rotina dos anestesiologistas e uma maior frequência de estudos científicos sobre o assunto.

A evolução tecnológica e maior acesso a equipamentos foram alguns dos fatores responsáveis pelo aumento da utilização da técnica. Com o uso da ultrassonografia foi possível desenvolver técnicas específicas para fascias musculares, como o TAP-block* e SP-block*. O neuroestimulador também foi essencial no desenvolvimentos de técnicas de bloqueio regional principalmente para membro torácico e pélvico.

A utilização da Anestesia Regional tem diversas vantagens além da promoção da analgesia transoperatória, como a diminuição do requerimento de anestésico gerais e analgésicos. Maior conforto durante o pós operatório imediato. As técnicas de bloqueio (quando realizadas da forma correta) causam baixo ou nenhum impacto hemodinâmico para o paciente.

Como já falamos aqui algumas vezes, não existe técnica anestésica superior a outra, é função do anestesista avaliar quais as técnicas serão mais benéficas para o seu paciente dentro das possibilidades tecnológicas e de conhecimento que serão mais indicadas para o seu paciente.

Vamos deixar aqui nesse post sugestões de literatura sobre bloqueios regionais, infelizmente o Instagram não permite a publicação de links clicáveis mas com a pesquisa do título no Google esses materiais são de fácil acesso. Alguns desses são artigos e outros são dicas de livros (se acaso você não achar os artigos, manda um direct que encaminhamos o link).

Lembrando que o interesse científico aumentou bastante nos últimos tempos e por isso vários artigos estão sendo publicados sobre o assunto.

*TAP-block: Bloqueio do plano transverso do abdômen
*SP-block: Bloqueio do plano serrátil

13/09/2020

Mas esse papo de manejo pré-anestésico diferenciado para felinos, é possível mesmo? A Médica Veterinária está aqui para provar que sim!
Mas como fazer?

O ambiente hospitalar deve ser amigável ao paciente felino, do momento da recepção até a sua alta. De preferência esses pacientes não devem compartilhar o mesmo internamento e sala de recepção que outras espécies. O paciente deve ter a oportunidade de ambientação com o local.
A manipulação do paciente deve ser realizada de forma calma, sem a contenção agressiva.
Se não é possível minimizar os barulhos do local, como no exemplo do vídeo, o barulho da máquina de tricotomia, uma das alternativas é ligar a máquina de forma mais precoce e deixar o paciente se acostumar com aquele som.

A escolha do protocolo anestésico é um ótimo aliado do manejo diferenciado, já que os fármacos podem tranquilizar o paciente facilitando a sua manipulação, mas vale lembrar, a medicação deve ser utilizada pensando no paciente de forma invidual, levando em conta sua fisiologia, comorbidades e comportamento. Outro ponto importante é que todas essas manobras devem ser feitas de forma conjunta, um manejo tranquilo e um protocolo adequado somarão benefícios para o paciente.

Infelizmente, nem todo ambiente hospitalar será um ambiente tranquilo, pela grande circulação de pessoas, conversas paralelas, dentre outros fatores, mas a busca de informar e buscar melhorias no local deve ser feita, procurando conscientizar da importância do ambiente na tranquilização é bem estar dos pacientes.

Existem diversas outras possibilidades para maximizar o bem estar dos pacientes felinos durante a sua internação, cabe a nós, veterinários e anestesistas, respeitar e buscar o conhecimento sobre a espécie.

O sucesso anestésico não depende apenas de um protocolo anestésico adequado, mas sim, do momento da avaliação do paciente até a sua alta hospitalar.

Agradecemos imensamente a Médica Veterinaria por gentilmente ceder as imagens desse atendimento ❤️

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