CardioEvidence
Blog sobre MBE e atualizações das Doenças Cardiovasculares
27/06/2026
Este foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e multicêntrico (90 centros em 12 países) trouxe dados cruciais sobre o uso de rivaroxabana em baixa dose (2,5 mg, 2x/dia) para pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) avançada. Visto que cerca de 10% a 15% desses indivíduos sofrem eventos cardiovasculares anualmente, a necessidade de terapias antitrombóticas eficazes era altíssima.
Avaliou-se 1.458 pacientes com DRC estágios 4, 5 ou em diálise. Todos apresentavam alto risco cardiovascular (histórico de doença coronariana, AVC, doença arterial periférica, diabetes ou idade ≥ 65 anos). Eles foram randomizados (1:1) para tratamento com o anticoagulante ou placebo.
O trial precisou ser interrompido antecipadamente em agosto de 2025 porque a intervenção falhou em demonstrar qualquer benefício.
O desfecho primário (morte CV, infarto não fatal, AVC ou evento arterial periférico) incidiu em 22,6% no grupo da rivaroxabana contra 20,7% no grupo placebo (HR 1,09 [IC 95%, 0,87-1,36]; P = 0,46) [1, 3]. Ou seja, a droga não reduziu a incidência de eventos adversos cardiovasculares.
Ocorreram sangramentos maiores em 8,8% dos pacientes com rivaroxabana versus apenas 6,0% com placebo (HR 1,51 [IC 95%, 1,02-2,22]; P = 0,04), um aumento significativo e grave. Isso representa um NNH (Número Necessário para Causar Dano) de cerca de 36 pacientes para gerar uma hemorragia maior adicional.
A rivaroxabana em baixa dose não confere cardioproteção e aumenta consideravelmente o risco de hemorragias graves na DRC avançada [4, 5]. O balanço risco-benefício desaconselha totalmente o seu uso profilático nesta população.
doi: 10.1001/jama.2026.9379
Dr. Cesimar Severiano do Nascimento, Cardiologista, CREMERN 2050, RQE 629
21/06/2026
A medicina moderna dedica enorme atenção à prevenção cardiovascular dos pacientes, mas frequentemente esquece um detalhe fundamental: o médico também é um ser humano sujeito ao estresse, ao sedentarismo, ao burnout e às DCV.
Pequenas mudanças na rotina produzem mais benefícios do que imaginamos.
1. Leve o paciente até a porta: Quebra o sedentarismo de passar horas sentado. Esse estímulo muscular ativa a circulação periférica e acumula passos preciosos ao longo do dia.
2. Vá buscar o seu café: Não peça na sala; vá à copa. Essas microcaminhadas combatem o impacto metabólico negativo e ativam as panturrilhas, o nosso “segundo coração”.
3. Faça pausas com colegas: 5 minutos de conversa na sala dos médicos reduzem o cortisol. O suporte social entre pares é um pilar robusto contra o burnout.
4. Use música ambiente: Sons calmos reduzem a pressão arterial e a frequência cardíaca sistólica de ambos (médico e paciente). É um ganho mútuo de serenidade.
5. Pratique o bom humor: A humildade e o riso liberam óxido nítrico, promovendo a vasodilatação e protegendo o endotélio contra a rigidez induzida pela tensão.
6. Proteja sua agenda: Evite o excesso de encaixes. A pressa constante ativa o sistema simpático, elevando a FC e a PA. Consulta humanizada precisa de tempo.
7. Cumprimente com afeto: O aperto de mão e o olho no olho estimulam a ocitocina, um hormônio com efeitos cardioprotetores diretos que diminui o nível de ansiedade.
8. Lidere com gentileza: Seja cortês com a equipe de apoio. Ambientes harmônicos evitam conflitos invisíveis e poupam você de picos desnecessários de estresse.
9. Não guarde mágoas: Perdoe o paciente difícil. Ruminar frustrações mantém o corpo em alerta e gera inflamação subclínica, terreno fértil para a aterosclerose.
10. Saiba dizer não: Impor limites saudáveis protege o seu sono, sua mente e seu coração. Dizer “sim” para tudo é dizer “não” para a sua própria saúde.
Cuidar dos pacientes é uma missão. Cuidar de si mesmo é uma responsabilidade. Um médico saudável cuida melhor, ensina melhor e vive melhor. Quando deixa de cuidar de si mesmo, sofre o Médico, o paciente e a Medicina.
Dr. Cesimar S. do Nascimento, CREMERN 2050, RQE 629.
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Natal, RN