Rio Ontem e Sempre
Um projeto que visa ajudar a divulgação da Cidade Maravilhosa, contando sua história e suas mudanças. Engaje-se com seu "like" e seu comentário. Abraço carioca!
30/06/2026
💎 𝐄𝐱𝐩𝐚𝐧𝐬ã𝐨 𝐝𝐚 𝐑𝐮𝐚 𝐆𝐮𝐚𝐧𝐚𝐛𝐚𝐫𝐚 💎
📸 1) Augusto Malta - 08/05/1914 – Sentido Laranjeiras > Botafogo
📸 2) Augusto Malta - 14/08/1914 – Sentido Botafogo > Laranjeiras
📸 3) RO&S - Século XXI
Malta, como sempre, no melhor de seu ofício, registrando mais uma obra desafiadora na cidade. As fotos têm pouco mais de 3 meses de diferença entre elas e registram a obra de expansão da Rua Guanabara (Pinheiro Machado) até a Rua Farani e consequentemente até a Praia de Botafogo.
O objetivo do projeto, executado durante a prefeitura de Rivadávia Correia, era simplesmente melhorar o fluxo entre os bairros, criando mais uma alternativa de ligação entre a Zona Sul e o Centro, além da Beira Mar e as ruas Senador Vergueiro e Marquês de Abrantes.
Objetivo simples, mas obra complexa e arriscada, separando os morros na base da dinamite.
A 1ª foto, sentido Botafogo -> Laranjeiras, mostra o corte dividindo fisicamente o Morro Mundo Novo (à esquerda) e o Morro Azul (à direita). Vemos nela, logo após o início do corte, as palmeiras imperiais dos dois lados, tanto as do Palácio Guanabara quanto as da Rua Paysandu. O Palácio Guanabara e o Fluminense FC estão escondidos pela pedra à esquerda. Ao fundo, o Morro da Nova Cintra.
A 2a já mostra a obra já em finalização, com um belíssimo calhambeque vindo de Botafogo em direção a Laranjeiras. À direita esta a antiga Casa da Guarda do Palácio Guanabara, ocupada, desde 1961, pela Escola Municipal Anne Frank.
Houve depois um alargamento/duplicação, executado em fins de 1950, início de 1960, parte de mais um projeto de ligação expressa Norte - Centro – Sul, incluido nele o Túnel Santa Bárbara, ou "Catumbi - Laranjeiras".
Em breve, mais sobre esta duplicação e suas consequências para a região.
♦♦♦♦♦ ADENDO IMPORTANTE:
👉 A história do túnel que virou fenda.
Pra esclarecer a ótima discussão feita nos comentários, sobre os porquês de fenda e não túnel, coloco áí o que consegui encontrar sobre o que aconteceu:
1888 - Antônio Francisco Farani, que não era engenheiro, tinha o objetivo de criar uma linha de bonds ligando Botafogo e Flamengo. E entendeu que a melhor forma de passar esta nova ferrovia seria por um túnel atravessando o então “Morro de Santo Antônio”, depois renomeado para "Mundo Novo".
1889 – Resolveu então tocar a obra sem supervisão de engenharia, abrindo o túnel na base da dinamite. Ele mesmo determinou a quantidade de explosivos, juntou seu pessoale começou a mandar brasa. Só que errou na quantidade de explosivos utilizada e, sem qualquer conhecimento técnico formal, não deve ter levado em consideração o tempo necessário para a estabilização depois de cada sessão de explosões, como pode ser visto normalmente em qualquer pedreira, fez o morro vir abaixo ... Assim sendo, evidentemente não havia mais como fazer o óbvio técnico, que seria mesmo o túnel. A fenda já tinha sido aberta ...
Curiosamente, foi multado por Machado de Assis, então Chefe da Secretaria da Agricultura, Comércio e Indústria, pela trapalhada, mas a coisa acabou ficando daquele jetio. Escombros em cima de escombros e intransitável.
1914 - Resolveu-se finalmente limpar a sujeira feita quase 15 anos antes e concluir a ligação, embora não mais prioritariamente para servir de linha férrea, pois Farani desistiu, e sim pavimentando também para automóveis.
Isto explica , inclusive, porque a obra foi tão rápida, começando e terminando em 1914 ... Já tinha sido iniciada há um tempinho ... 🤣
De qualquer forma, pessoal, a fonte sobre este relato acima é bem frágil e ainda estou tentando apurar isto melhor.
(.rj)
26/06/2026
💎 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐀𝐠𝐮𝐥𝐡𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐝𝐨 𝐈𝐧𝐡𝐚𝐧𝐠á (𝐂𝐨𝐩𝐚𝐜𝐚𝐛𝐚𝐧𝐚) 💎
📸 1) Marc Ferrez (c. 1880) – Coleção Gilberto Ferrez / IMS
📸 2) RO&S - Século XXI
Está difícil reconhecer o lugar vendo a imagem antiga, né? Pois é um dos corações de Copacabana.
Marc Ferrez estava sobre as antigas Pedras do Inhangá, um “puxadinho” do complexo São João - Babilônia que ia literalmente até o mar. Delas só sobrou a Rua General Barbosa Lima, escondida por prédios, após diversas demolições desde o início do século XX.
Copacabana / Leme eram pouco mais do que um areal. Até mesmo os trilhos de bonde só viriam quase uma década após esta foto. Existiam apenas alguns caminhos de terra cruzando a baixada. Um deles daria origem à atual Rua Barata Ribeiro, então menor do que atualmente, outro à Rua Tonelero.
No canto inferior direito da fotografia aparece um detalhe que costuma passar despercebido. Ali estava o terreno doado por Alexandre Wagner ao município em 1874 para a criação da primeira praça de Copacabana. Ela recebeu inicialmente o nome de Praça Martin Afonso, popularmente era reconhecida como Sacopenapã, preservando o antigo nome indígena da região, rebatizada para Copacabana pela Igrejinha na ponta no final da praia e desde 1917 chama-se Praça Cardeal Arcoverde.
À direita destaca-se a Agulhinha do Inhangá. Está mais escondida entre a vegetação e as construções, mas há trilha para chegar até lá, saindo dos Tabajaras.
Entre o Morro de São João e o Morro dos Cabritos está o vale que décadas após seria urbanizado, virando o pitoresco e agradabilíssimo Bairro Peixoto.
No mais, sei que assusta, está sempre presente este susto nos comentários, a verticalização de Copacabana, que transformou um bucólico areal numa gigante selva de pedra.
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24/06/2026
✈✈✈ QUARTA AÉREA ✈✈✈
💎 𝐁𝐚𝐫𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐓𝐢𝐣𝐮𝐜𝐚 𝐞 𝐋𝐚𝐠𝐨𝐚 𝐝𝐚 𝐓𝐢𝐣𝐮𝐜𝐚 (1940) 💎
📸 1) E.A.Ex. – Escola de Aeronáutica do Exército (18/12/1940) – Museu Aeroespacial
📸 2) RO&S – Século XXI
Em 1940, chegar à Barra da Tijuca não era algo que se fazia por acaso.
Quem vinha da Zona Sul precisava contornar a Pedra da Gávea pela antiga Estrada do Joá, passando pela pequena Barrinha, núcleo original da ocupação da região e verdadeira Barra da Tijuca histórica.
Já quem vinha da Zona Norte precisava vencer o maciço da Tijuca, descendo pelo Alto da Boa Vista e Itanhangá até alcançar a antiga Estrada da Barra da Tijuca, visível à esquerda da fotografia.
Em outras palavras: para chegar à Barra era necessário atravessar uma montanha.
A fotografia aérea da Escola de Aeronáutica do Exército registra justamente esse momento. A Barra ainda era dominada pelo sistema lagunar, pelas restingas e pelos manguezais. Não existiam Avenida das Américas, Armando Lombardi, Ayrton Senna, Linha Amarela, Via Parque, Downtown ou qualquer uma das referências que hoje associamos automaticamente ao bairro.
A via que acompanha a encosta à esquerda é a antiga Estrada da Barra da Tijuca. Durante décadas ela foi um dos principais acessos à região, conectando a lagoa ao Itanhangá e ao Alto da Boa Vista.
Em primeiro plano destaca-se a pequena ilha em formato de coração invertido, preservada até hoje. Nela funciona atualmente o conhecido Bar da Ilha. Logo atrás existia outra ilha, posteriormente aterrada, onde hoje se encontra o Marina Barra Clube.
Moradores antigos da região costumavam descrever a Lagoa da Tijuca como um ambiente de águas claras, abundante em peixes e camarões. A fotografia ajuda a compreender esses relatos. A lagoa era o elemento dominante da paisagem e não apenas um detalhe entre edificações.
O interesse desta imagem está justamente em mostrar uma etapa da história da Barra frequentemente esquecida. Muito antes dos condomínios, dos shoppings e das grandes avenidas, a região era definida pelas lagoas, pelas montanhas que a isolavam e pelos poucos caminhos que permitiam alcançá-la.
A Barra moderna não surgiu do nada. Ela nasceu desta paisagem.
(@𝘢𝘯𝘵𝘰𝘳𝘢𝘮𝘰𝘴.𝘳𝘫)
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