Editora Poder Afrikano
Por uma editora colaborativa, Ujamaaista
Perspectiva de difusão, nunca de condução
Nunca se esqueça
Omolu (também chamado Obaluaê ou Xapanã, entre outros epítetos) tem sua origem nas tradições iorubás da África Ocidental, especialmente na região da atual Nigéria e do antigo reino do Daomé (atual Benim). Na cosmologia iorubá, Omolu é venerado como o orixá das doenças e da cura, intimamente ligado à terra e à morte.
Seu nome iorubá Ọbalúayé significa “rei, senhor da terra”, enquanto Omolu (do iorubá Omolu – Omo Olu) significa “filho do Senhor”, ambos sendo títulos respeitosos usados para evitar pronunciar seu nome original, Soponna ou Xapanã. Isso ocorre porque Soponna (deus da varíola) é extremamente temido – acredita-se até que pronunciar seu nome atraia sua ira –, por isso os iorubás referem-se a ele com epítetos elogiosos como Obalúayé ou Omolu em vez de seu nome verdadeiro.
Na sociedade tradicional africana, Omolu/Soponna desempenhava um papel duplo de castigador e curador: foi temido pelas pestes que podia enviar, mas também reverenciado como médico divino capaz de curar os males que ele mesmo propagava. Por isso, é cultuado fervorosamente em várias regiões. Entre os povos fon–jeje (Daomé), por exemplo, ele corresponde ao vodum Sapatá (Sakpatá), conhecido como Aynon, “dono da terra”.
Sapatá é o grande vodum da terra e senhor da varíola para os fons, considerado filho de Mawu (o deus supremo) e tão temido quanto venerado. Essa convergência de atributos fez com que, historicamente, os fons vissem Sapatá/Omolu como uma divindade “nagô” (iorubá) incorporada em sua cultura
Em suma, antes da diáspora africana, Omolu já ocupava um lugar central nas religiões tradicionais da África Ocidental, simbolizando o poder sobre a vida e a morte por meio do controle das doenças e da saúde da comunidade
Fonte: Edinei Procopio/ MediumX
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