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07/06/2026
𝐀𝐬 𝐛𝐚𝐥𝐚𝐬 𝐞 𝐨 𝐬𝐢𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐚𝐥𝐭𝐚𝐫𝐞𝐬...
𝐏𝐨𝐫: 𝐃𝐣𝐢𝐧𝐢-𝐰𝐚𝐧𝐠𝐚 - 𝐌𝐚𝐭𝐜𝐡𝐚'𝐬 - 𝐌𝐚𝐜𝐡𝐚𝐯𝐚
Muitos fiéis católicos acordaram com um sobressalto. Não era mais um relato de assalto, não era mais uma vítima anónima das estatísticas da criminalidade, não era mais um membro da ANAMOLA, nem um cidadão abatido por reivindicar direitos ou exigir justiça. Desta vez, as balas encontraram um bispo.
Dom Osório Afonso, bispo da Diocese de Quelimane, foi morto a tiros na sua residência oficial. E o facto, por si só, transcende a esfera religiosa. Porque quando um bispo é assassinado dentro da casa que simboliza acolhimento, paz e autoridade moral, a pergunta deixa de ser apenas quem matou. Passa a ser: o que estamos a transformar-nos enquanto sociedade?
Há muito que os moçambicanos se habituaram a conviver com notícias de mortes violentas. A morte tornou-se tão frequente no espaço público que já não provoca o espanto que deveria provocar. Mudam apenas os nomes, os rostos e as circunstâncias. Contudo, desta vez, o impacto é diferente. Não porque a vida de um bispo valha mais do que a de qualquer cidadão, mas porque a sua morte derruba a ilusão de que ainda existem lugares intocáveis.
A residência episcopal deveria ser um espaço de oração. Tornou-se cena de crime. O altar deveria ser lugar de esperança. Hoje, é também lugar de inquietação.
Há alguns anos, perante ameaças e riscos evidentes, o Vaticano retirou o Bispo de Pemba de uma zona onde a sua segurança se encontrava comprometida. Muitos questionaram a decisão. Outros compreenderam que certas vozes incomodam precisamente porque se recusam a ser ecos do poder ou do medo. O tempo, porém, tem o hábito cruel de transformar receios em factos.
A morte de Dom Osório Afonso obriga-nos a reflectir sobre algo mais profundo do que o próprio crime. Obriga-nos a pensar num país onde a violência parece ganhar cidadania e onde o medo começa a frequentar espaços que outrora pertenciam apenas à fé, à esperança e à palavra.
As autoridades investigarão os autores materiais. É seu dever. Mas a sociedade terá de investigar os autores morais do ambiente que permite que a vida humana seja tratada co
07/06/2026
“O Papa Leão XIV tomou conhecimento com pesar do grave ato de violência que causou a morte de Sua Excelência, dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane e Administrador Apostólico de Beira, e une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação, para que o Senhor lhes conceda co***lo, para que guarde em seu amor cada homem e cada mulher e detenha a mão dos violentos”.
Assim, através do canal Telegram da Sala de Imprensa da Santa Sé, o diretor Matteo Bruni transmitiu ao mundo a consternação do Pontífice, em viagem apostólica na Espanha, pelo assassinato do prelado encontrado morto neste sábado (06/06) nas instalações da residência episcopal de Quelimane.
Segundo informações divulgadas em uma coletiva de imprensa pelos responsáveis pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, o bispo teria sido atingido por vários tiros disparados na região do peito e do coração, que não lhe deixaram nenhuma chance de sobrevivência. Ainda são desconhecidas as causas desse terrível crime, sobre as quais os investigadores estão começando a investigar.
A dor pela trágica morte foi expressada, em nome de toda a Igreja local, também por dom Inácio Saúre, arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, que, em um comunicado oficial, fez um apelo, neste momento tão difícil, “à fé e à solidariedade fraterna”.
Dom Citora Afonso, que atualmente ocupava o cargo de secretário-geral da Conferência Episcopal, foi também oficial do Dicastério para a Evangelização, Seção para a Primeira Evangelização e as novas Igrejas particulares, no período compreendido entre 2017 e 2023.
Profunda dor e pesar foram expressados pelo presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, que quis destacar que “a morte do prelado representa uma perda irreparável não só para toda a comunidade cristã, mas também para toda a sociedade moçambicana”.😭😭😭😭😭😭😭
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