O Sabor das Letras
Pagina de partilha de literatura
06/01/2018
Somos a carne de um fruto atordoado. Somos o dia aparatoso
nas escadas, depois navios ancorados carregados de bruma.
Bebemos o sangue dos poentes como animais incrédulos
de morrer.
Quando tens frio, risco-me como fósforo na tua pele ondulada. E dá-se o acidente nas gavetas.
As tuas pernas afogam-se em poços de água, eu tenho os braços engessados numa parede violenta - porém beijámo-nos na boca lenta da madrugada.
O meu nome acordou povoado pelo teu nome.
Vasco Gato
06/01/2018
Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.
Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua…
Manuel Alegre
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