FSarqueologia

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Desde 1997 que temos vindo a desenvolver todo o tipo de trabalho na área do Património, sobretudo Serviços de Arqueologia.

05/06/2026

Projecto: Reabilitação de edifício, Rua do Sol Velho, 3, Monsanto (da Beira)
Fase: Relatório Final
Ano: 2026

05/06/2026

Informação.
Os participantes podem inscrever-se nos dias que entenderem, sendo a ação completa os 3 dias. No entanto, a visita ao forno de cal irá realizar-se nos 3 dias.
Um Workshop muito especial com uma componente prática num caso concreto e a transmissão do conhecimento por quem já estuda estas estruturas há muito anos, o arq. Bruno Matos.
Vamos conhecer estruturas que fazem partes de práticas tradicionais e da nossa paisagem.
Esta é uma organização conjunta com a APRUPP, sob coordenação do membro da Direção da APRUPP, o arq. Joaquim Teixeira.
O Complexo Molinológico da Ribeira de Friães, em Bagunte, é constituído por dez moinhos hidráulicos tradicionais, implantados em cadeia ao longo das margens da ribeira. A sua origem cronológica permanece ainda por determinar, embora algumas inscrições existentes nas padieiras das portas dos moinhos remetam para os séculos XVIII e XIX.
A complexidade da sua conceção e execução técnica revela um conhecimento construtivo e hidrográfico muito desenvolvido, associado à gestão tradicional da água, à organização da paisagem agrícola e à exploração da energia hidráulica. O conjunto integra moinhos, pequenos açudes, levadas de água, tanques, lavadouros, socalcos de cultivo, lameiros e caminhos, formando uma infraestrutura patrimonial de grande valor cultural, técnico e paisagístico.
As levadas constituem um dos elementos fundamentais deste sistema. Construídas com assinalável precisão, aproveitam os declives naturais do terreno para conduzir a água até aos engenhos de moagem, demonstrando uma estreita relação entre arquitetura, topografia e hidráulica.
Um dos aspetos mais relevantes deste complexo é a sua complementaridade sazonal com as azenhas do rio Ave. Durante o inverno, quando as cheias condicionavam o funcionamento das azenhas instaladas no leito principal do rio, estes moinhos eram utilizados pelos mesmos moleiros, assegurando a continuidade da moagem. Estamos, assim, perante um sistema histórico de exploração energética e de gestão hidrográfica articulado à escala da bacia do Ave.
Do ponto de vista arquitetónico, os moinhos apresentam uma matriz comum: edifícios de planta retangular, geralmente térreos, construídos em alvenaria de granito, com estruturas interiores e coberturas em madeira revestidas a telha cerâmica. No nível inferior, os caboucos acolhiam os circuitos hidráulicos e os rodízios acionados pela força da água. Apesar desta composição comum, o conjunto apresenta variantes de implantação, cobertura, dimensão e capacidade produtiva, existindo moinhos preparados para um, dois ou três engenhos de moagem.
Atualmente, o complexo encontra-se em situação de grande vulnerabilidade. Dos dez moinhos existentes, apenas dois conservam cobertura, embora estejam devolutos, encontrando-se os restantes em ruína. A degradação dos edifícios, das levadas e das restantes estruturas hidráulicas coloca em risco a compreensão deste conjunto patrimonial.
O ciclo de workshops promovido pela APRUPP, pela União de Freguesias de Bagunte, Ferreiró, Outeiro Maior e Parada, pela APPA-VC e pelos Amigos de Ponte d’Ave pretende contribuir para a salvaguarda e valorização deste conjunto através de três momentos complementares de aprendizagem e intervenção prática.
A primeira atividade será dedicada à limpeza dos moinhos e das levadas, permitindo descobrir os circuitos hidráulicos tradicionais, remover depósitos de detritos sobre a levada primitiva e limpar a vegetação na área envolvente. A segunda atividade incidirá sobre a recuperação das levadas, com especial atenção à seleção das pedras existentes, ao preenchimento das zonas incompletas dos muretes e à regularização do pavimento da levada com as pendentes adequadas. A terceira atividade será dedicada à recuperação das paredes em pedra do moinho, abordando o tratamento da pedra em estruturas vernaculares, a dosagem e aplicação de argamassas tradicionais e a reconstrução de paredes em alvenaria de pedra com recurso a técnicas construtivas tradicionais.
Mais do que uma ação pontual de manutenção, este workshop pretende promover a participação da comunidade, a transmissão de conhecimentos técnicos tradicionais e a valorização de um complexo molinológico singular, cuja memória, função e presença na paisagem importa conhecer, preservar e transmitir às gerações futuras.

27 de Junho de 2026 | Atividade 1 – Limpeza dos Moinhos e das Levadas

9:30 - Receção dos participantes e apresentação da atividade
10:00 - Interpretação do circuito hidráulico das levadas dos moinhos da Ribeira de Friães
10:30 - Limpeza e desobstrução das levadas dos moinhos da Ribeira de Friães
• Descobrir os circuitos hidráulicos tradicionais dos Moinhos da Rib.a de Friães
• Remoção do depósito de detritos sobre a levada primitiva
• Limpeza da vegetação na área envolvente aos Moinhos
12:30 – Almoço (oferta da Junta de Freguesia)
14:00 – Visita ao Forno de Cal
14:30 - Continuação das atividades de limpeza e desobstrução
17:30 – Encerramento da atividade

11 Julho de 2026 | Atividade 2 – Recuperação das Levadas

9:30 - Receção dos participantes e apresentação da atividade
10:00 - Início da atividade de recuperação das levadas em técnica de pedra seca
• Seleção das pedras existentes para completar os muretes
• Alinhamentos e preenchimento das zonas do murete incompletas
• Regularização com pendentes do pavimento da levada
12:30 – Almoço (oferta da Junta de Freguesia)
14:00 – Visita ao Forno de Cal
14:30 - Continuação das atividades de recuperação das levadas em técnica de pedra seca
17:30 – Encerramento da atividade

26 Setembro de 2026 | Atividade 3 – Recuperação do Moinho

9:30 - Receção dos participantes e apresentação da atividade
10:00 - Início da atividade de recuperação das paredes em pedra do Moinho
• Como tratar a pedra em estruturas vernaculares
• Método de dosagem e aplicação de argamassas tradicionais
• Reconstrução de uma parede em alvenaria de pedra com recurso a técnicas tradicionais
12:30 – Almoço (oferta da Junta de Freguesia)
14:00 – Visita ao Forno de Cal
14:30 - Continuação das atividades de recuperação das paredes em pedra do Moinho
17:30 – Encerramento da atividade
Estão abertas as inscrições, pedidos para: [email protected]

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